quarta-feira, 20 de julho de 2016

TE AMO MÃE

Minha mãe foi se deitar, reclamando estar cansada. Confesso que nunca a vi assim, acometida calada e um tanto triste. Confesso que me senti a pessoa mais inútil deste mundo; sem saber o que fazer, vendo minha mãe ali inerte e desamparada. Sentei-me ao seu lado e tome-lhe suas mãos, num ato desesperado de tentar lhe confortar e recompensar o tempo que não tinha estado por perto... Segurei firme sua mão, para tentar lhe trazer carinho e acalento, mas no fundo, buscava eu mesmo não cair por terra, diante do desespero que a angústia que ela sentia, me passava. Segurei sua mão, num instante congelado e eterno no tempo e vi que ela percebeu este meu desespero e, mesmo cansada e cabisbaixa, mas, por conta da arte que lhe é comum, ali mesmo, da forma mais pura e simples possível, como que num poema feito na hora, falou-me destas suas mãos, dizendo que elas já deram, já tomaram, já bateram, já acalentaram, já ajudaram, já foram ajudadas... lembrando-me que esta é a beleza da vida: o amor incondicional acima de tudo, mesmo estando triste ou cansada ou calada, ou cabisbaixa, mas com certeza sim, sem nunca tirar o sorriso do rosto, sem nunca perder a esperança, sem nunca deixar de realmente viver, o mais intensamente possível...

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